Filmes
WARNING
Nesta seção há breves resumos (ou avaliações, não sei qual o termo correto para isso) sobre os filmes que assisti para avaliar os cinemas. Eventualmente pode conter algum spoiler.
➡️ Lista - comece por aqui
Listado em ordem crescente a partir da data em que vi os filmes
Minha irmã e eu
Duas irmãs preparam-se para fazer a festa de aniversário da mãe delas - e vai ser especial, contando com a presença de toda a família. Porém, numa discussão elas chateiam a mãe que resolve fugir. Na procura da mãe, as duas irmãs aproximam-se, reconstruindo uma conexão que há muito não tinham.
É uma comédia leve, tem um pouco de apelo sexual, mas nada vulgar. O filme é estrelado pela Tatá Werneck e Ingrid Guimarães, que mesmo numa história fraca, de orçamento limitado, conseguem "salvar" o filme, com o carisma e a "graça natural" que elas têm.
Duna 2
É a continuação de Duna, de 2021. Neste longa, os personagens unem forças para derrubar e tomar novamente o controle do planeta pela Casa de Especiarias dos Atreides. Paul Atreides passa a ser visto pelo "povo do deserto" como um deus e lidera a empreitada contra o Império.
O filme é ótimo.
Guerra Civil
Nos Estados Unidos distópico, alguns estados estão numa guerra civil contra o governo e o exército. Um grupo de jornalistas decide ir até Washington entrevistar o presidente antes que ele seja assassinado. Mas até chegar a capital, eles tem muitas barreiras no caminho.
É bom e fora da casinha.
Godzilla e Kong
Na Terra Oca, Kong machuca o dente e precisa da ajuda dos humanos para repará-lo. Enquanto isso, Godzilla segue como um "guardião" da Terra apesar da sua grande habilidade em destruir tudo pelo caminho. Uma insurreição começa a surgir na Terra Oca e os dois precisam se unir para combater o inimigo.
O filme não é bom. A história não cativa; é muito tempo de tela de gritos e os personagens humanos são bem estereotipados.
Planeta dos Macacos: O reinado
Um tirano tem sob o seu poder, grupos e mais grupos de macacos. O objetivo dele é conseguir acesso à alta tecnologia que os humanos deixaram para trás e para isso ele escraviza macacos em busca de abrir uma porta de um "abrigo subterrâneo" que os humanos se estabeleceram. O nosso personagem principal, junto dos seus amigos e uma "figura falante" desencadeiam grandes peripécias...
O filme é xôxo. Saí da sala com a percepção de que faltava algo. Talvez seja o desenrolar da história que foi bastante previsível, ou a duração do filme, que não é o meu gênero mais preferido, ou ainda "figura falante" que não cativa muito e é desmascarada algumas vezes...
Deadpoll e Wolverine
Deadpoll retorna nesse filme movido pela força da amizade e o Wolverine pelo amargo arrependimento dos erros cometidos por ele no universo dele no passado. Nesse filme fã-service 🤓 e lotado de piadas e críticas, que já saturaram, envolvendo a Marvel, a Fox e a Disney, Deadpoll visa salvar o mundo em que vive enquanto o Wolverine, por sua vez, ser reconhecido como um herói.
Apesar de a trama ser concisa e eu não me recordar de nenhum furo de roteiro, a história é fraca - não dá vontade de continuar a ver o filme, e a vilã, irmã do professor Xavier, não é a melhor dos vilões.
O filme é mais um de multiverso. Mais um para conta.
The Crow (2024)
Apesar de um tanto violento, o filme é bom. O amor entre o Eric e a Shelly que rodeia a história é motivadora (se é que esse é um sentimento que possa se ter vendo um relacionamento de fora). Ainda não assisti os outros filmes de corvo rs, mas depois de assitir à 1h50 do Eric (interpretado pelo Bill Skarsgard) morrendo 3 vezes, se apaixonando loucamente por uma moça que ele conheceu há pouquíssimo tempo e sendo um jovem traumatizado pelo seu passado, com certeza os outros filmes entrarão na minha listinha para assistir.
Pisque duas vezes
CAUTION
⚠️ Gatilho: abuso, violência
Confesso que antes de assistir eu vi a resenha da Isabela Boscov sobre esse filme, e lá ela chamava a atenção para o trabalho feito com as cores neste filme, e sim, é fascinante! Tudo foi pensado nos mínimos detalhes e os tons contrastantes, sempre bem saturados dão um "tchan" a mais nesse filme.
A história, apesar de no início parecer só mais um filme como Corra e Midsommar, é bem construída. Em certo ponto do filme, o drama que a protagonista passa chega a ser palpável. Isso sem falar no plot twist, também que é maravilho para espectadores como eu, que esperam um final minimamente justo.
Coringa: Delírio a dois
É ruim. É péssimo. É terrível. É um musical...
Esse filme vai ficar sem resumo mesmo.
Venom: A Última Rodada
A Última Rodada foi o título escolhido para o último filme da saga de Eddie Brock e o simbionte Venom. O filme é mais um filme de "super-herói" genérico que segue a já cansada jornada do herói.
No filme, Venom e Eddie estão a ser cassados por possuir o codex (nome ótimo e original, diga-se de passagem) - que é basicamente, uma espécie de fórmula para criar outros simbiontes.
Na tentativa de fuga, Eddie acaba acidentalmente encontrando uma família meio conspiracionista meio 'hippie' em busca de ver a área 51 antes que ela fosse desativada e a partir daí, praticamente, que o filme começa.
No filme tem tudo do mais clichê:
- O general ignorante que acha que as coisas devem ser feitas do jeito dele
- Os cientistas, muito humanos, querendo fazer tudo direitinho
- e um indivíduo que sabe de tudo o que vai acontecer e é a Wikipédia do filme
Não é bom. Também não é engraçado e não se salva por esse aspecto como o filme anterior do Venom.
O segundo ato
É um filme francês sobre um filme que está a ser gravado, escrito e dirigido por uma IA. O filme é uma comédia leve e bem humorada, com cenas e diálogos longuíssimos que quebram a quarta parede dentro da quarta parede (a primeira pelo filme que está a ser gravado, a segunda pelo filme que estamos a assistir).
O filme é bom, é uma crítica bem humorada ao cinema e a indústria cinematográfica.
Ainda estou aqui
Até agora, da lista, este é o filme mais emocionante. Por ser um filme baseado em fatos e o desaparecimento ser o fato que desencadeia a história, o filme é muito emocionante.
A atuação da Fernanda Torres enquanto mãe de cinco filhos e uma esposa atrás do seu marido é um dos destaques do filme. No final, a participação da mãe dela, a Fernanda Montenegro é a estaca que faltava para o espectador se debruçar em lágrimas.
Nesse filme, as pequenas coisas são as que mais importam. No final, já nos créditos, as fotografias reais da família que inspirou o filme são mostradas e aí, se sobrou alguma ficha, ela cai.
O Auto da Compadecida 2
O filme é uma comédia leve e bem humorada. Não espere muito desse filme, porque é uma continuação de filme que estreou há 20 anos. Vários personagens aqui foram substituídos, e não houve cuidado algum com a similaridade entre os atores. O filme é bom, mas não é o melhor filme de comédia que você vai assistir.
Conclave
É bárbaro!! No filme, o papa morreu e a cerimônia de escolha do novo papa precisa ser feita. O cardeal Lawrence, protagonista do filme está em dúvidas quanto a sua fé na Igreja e, ao mesmo tempo, é o responsável por organizar o conclave.
Antes mesmo de começar, fica claro que há uma disputa entre várias facções (termo que o próprio filme usa) dentro da cúpula da Igreja, cada qual com sua agenda e interesses específicos. O aparecimento de um sacerdote do Afeganistão intriga os membros da cerimônia. Com o início do conclave, as disputas ficam ainda mais intensas, um suposto caso de corrupção e a existência de filho de um membro da Igreja contribuem para deixar o clima ainda mais hostil.
Do lado de fora do Vaticano, atentados estão a ocorrer. Muitos ficam feridos e o cardeal tem que lidar com tudo isso.
É um filme tenso do início ao fim. O ator que faz o cardeal Lawrence é impecável. Um excelente filme.
O Brutalista
Eu já falei muito mal desse filme, mas "volto" em tudo que disse.
Laszlo Tóth é um arquiteto judeu que acabou de ser liberto de um campo de concentração. Ele foi separado da sua filha e da esposa, e agora está a caminho dos Estados Unidos. Com esperanças de construir a sua vida de novo, ele chega a NY e a primeira coisa que vê é a estátua da Liberdade. Mas, na visão dele, ela não está como a conhecemos. Normalmente esperaríamos ver a estátua de baixo para cima, mas Laszlo vê uma estátua distorcida, que se movimenta e chega a fica de ponta a cabeça...
Em NY ele recebe a ajuda do seu primo, que construiu uma pequena empresa de móveis. A ideia é que junto de Laszlo ele possa ter mais clientes. A esposa de do arquiteto mandava cartas para o primo e contou que estava na Europa junto da filha. Mas a parceria não dura muito. A esposa do seu primo, descontente com ter Laszlo na sua casa, cria uma intriga e o arquiteto acaba morando em albergue, vivendo de bicos e de caridade. Ele faz uso frequente de drogas, heroína, eu acho.
Laszlo, então, é convidado por um empresário para construir um espaço para a comunidade, na sua propriedade. O projeto é grande e Laszlo o projeta em dimensões colossais: com amplas salas e corredores e uma capela, onde se forma uma cruz no altar através da luz do sol - dependendo da perspectiva a cruz fica invertida. Para o arquiteto, o objetivo do projeto é ser um bem social, mas com o tempo ficam claros os reais interesses do empresário. A sua esposa e filha finalmente deixam à Europa e passam a morar com o arquiteto. A mulher é jornalista e tem uma doença que a faz ter fortes dores e que dificultam a locomoção. Mas ela vive bem, com a ajuda da filha - uma menina recatada e retraída.
Conforme as obras vão a avançar e os problemas de orçamento e imprevistos acontecem, Laszlo fecha o seu mundo cada vez mais para dentro das paredes que ele projetou. Ele não aceita opiniões de outros profissionais, briga com os trabalhadores e negligência a própria família. O uso de heroína agora se tornou um vício.
[Disclaimer: a partir daqui o filme começa a correr e as coisas acontecem de forma muito rápida, fica um pouco confuso.] Ele vai até a Itália com o empresário, para escolherem o mármore, nessa viagem um "episódio de demonstração de poder". Novamente nos Estados Unidos, a esposa dele têm uma overdose. Quando se recupera, ela confronta o empresário, que desaparece.
E aí o filme acaba. O que vêm depois é o mesmo que acontece em "Ainda Estou Aqui": uma retrospectiva contando o que aconteceu nos anos seguintes.
Apesar de o final ficar em aberto e o filme ser muito longo - mas não é cansativo - é um bom filme. Claro que muitos não vão gostar, talvez pelo tamanho, ou pelo fato de apenas contar uma história ou ainda pelo fato de ser totalmente ficcional.
Better Man
CAUTION
⚠️ Gatilho: suicídio, abuso de drogas e dependência. Esse filme aborda o tema de forma explícita e visual. Se você é sensível ao tema ou está num momento difícil, não assista. Comecei com o filme rolando há uns 30 minutos. Me atrasei porque confundi os pontos de ônibus do 3050...
Better Man, ou "Melhor Homem", em português é um filme fantástico. Este foi o primeiro musical que vi nos últimos anos genuinamente bom e que não me causou uma crise de ansiedade, esperando pelo final.
É a história de Robbie Williams, um músico que eu sequer sabia da existência. No filme, ele é um chimpanzé - provavelmente por que para as pessoas ele era muito descolado e divertido, sei lá.
Fato é que o filme é bom. Em vários momentos tem mudanças bruscas no cenário em que a história se passa, é também muito bem produzido. Desse filme não tenho muito o que dizer, é a biografia dele, a história dele e da carreira que ele construiu. É a história do relacionamento complicado com o pai - que nunca foi presente na vida do menino, da avó paterna - e essa parte me pegou - que fez parte do crescimento dele e ele não esteve presente nos últimos momentos de vida dela...
Vitória
No início eu fiquei confuso, meio incomodado com a atuação da Fernanda Montenegro, ela falava baixo e meio embolado, ficava difícil de entender e também em vários momentos era lenta - mas isso é coisa da idade. Chegar aos 90 anos não é para qualquer um, passar dos 90 então...
Com alguns minutos de tela já dá para acostumar. Se você viu o trailer sabe do que se trata. Se não, eu vou contar: é a história de uma moradora de um bairro na periferia do Rio. Atordoada pelo crescimento do tráfico e da violência da região ela resolve tomar alguma atitude.
Ela mora sozinha e ganha a vida fazendo massagens - ela aprendeu vendo a massagista de uma antiga patroa trabalhando. Mora em um prédio pequeno e de frente para ele têm um aglomerado de casas - é lá que ficam os traficantes e é de lá também que saem as imagens que ela captura.
A Fernanda com certeza foi a atriz perfeita para o papel - não somente pelo fato de ela, apenas fisicamente, já impactar quem vê com as atitudes que ela toma, mas também por conseguir emocionar quem assiste, ao ver o quão disposta a idosa estava para que alguém - ela queria a polícia - tomasse alguma atitude com aquilo que ela via pela janela.
Vitória não é um filme policial, não é de investigação, não é um filme de suspense. É baseado em uma história real, não só da idosa que inspirou o filme, mas também de milhões de outros brasileiros que dia sim, dia também, vê - talvez não de uma janela - a inação do poder público, a canalhice comendo solta e o crime, na frente de casa.
Se filmes genuinamente merecedores ganhassem o Oscar, Vitória mereceria um.
Pecadores
Uma patacoada. Sinceramente, se você espera alguma coisa desse filme você vive em Marte - ou não, talvez você só tenha mais saco que eu para a história do filme.
Para quem não está ligado, a lore é a seguinte: dois irmãos encrenqueiros e metidos a gângster deixam Chicago e voltam para um vilarejo que eles já viveram algum tempo. Em Chicago eles roubaram alguém muito rico e tinha muitos destilados, aí eles levam toda a carga roubada e uma bolada de dinheiro para este vilarejo.
Lá, eles compram um seleiro e nele resolvem construir um bar. Na inauguração, eles chamam a comunidade para festejar, bebem e dançam horrores e no meio da festa, um trio de estranhos aparecem e querem ser convidados para entrar. Eles desconfiam e não deixam, mas a namorada (ou ficante) de um dos irmãos resolve por conta própria e livre e espontânea vontade ir falar com os estranhos. Nessa, ela acaba virando um vampiro e a partir dai é ladeira abaixo.
Não sei se algo salva essa bomba, talvez a trilha sonora, a edição - cheia de cortes que quebram a sequência de interações ou talvez o fato de o filme terminar - eles mostram os créditos junto de trechos da história - e depois continua, como se fosse um pós-créditos dentro do filme.
Não é perseguição, mas este é mais um filme ruim, péssimo, terrível, para o currículo do Michael B. Jordan - que até então só tem filmes ruins... (minha opinião)
A mulher no jardim
Assim como pecadores um filme de "Terror (?)". Mas é pior. Bem pior para falar a verdade. A história é desencadeada por um drama familiar, em que a mãe da família não é feliz com o seu casamento/vida. Em uma noite, voltando de um jantar conturbado, ela e o seu marido se envolvem em um acidente. Ele morre e ela sobrevive, mas têm que usar uma tala na perna. Naquela noite ela pediu para morrer, mas a morte não veio.
Corta para alguns meses depois (3 se não me engano) e a família passa por dificuldades. A personagem principal, a mãe da família vive numa casa velha, em uma espécie de chácara, longe de tudo, com seus dois filhos: o mais velho - um adolescente questionador e imprudente (assim como todos os adolescentes) e a irmã mais nova - uma menina bem pequena que está aprendendo a escrever. A mãe está bastante deprimida com tudo o que aconteceu e aparenta estar cansada da vida.
Em um dia, uma mulher aparece no gramado da família. Ela é misteriosa, usa um pano que cobre a face e seu tronco e fala de coisas que não deveria saber. A mãe da família é quem tem o primeiro contato com ela e descobre que aquela não é uma mulher qualquer e que está ali porque ela fez um pedido.
O tempo vai passando e a mulher chegando mais perto da casa, até que, em determinado momento, no fim de tarde, quando a noite estava prestes a chegar a mulher do jardim entra e começa o corre-corre para fugir dela.
A história não é interessante. A lore não te prende. Também não é um filme que te assusta. Eu me interessei por esse filme pela capa, não vi resenha, não vi ninguém falando sobre. Mas é bem ruim. Poderia dizer que a atuação do ator que interpreta filho é boa, mas ele não teve muito o que fazer nesse filme, já que é tudo muito monótono e chato.
Lilo & Stitch 2025
É literalmente o live action da animação. Com poucas mudanças, tipo:
- Menos tempo de tela para o cientista que criou o Stitch e o moço magrelo que vem com ele para a Terra
- No live action o Stitch aparece depois que a Lilo briga na apresentação de dança (na animação ele aparece antes)
- E nesse filme também, diferente da animação o cientista é mais malvado.
Ainda assim é um filme legal. Entretivo.
Bailarina
É um filme do universo de John Wick. A protagonista do filme é uma menina que viu o pai ser morto quando era criança. Ela cresce numa legião e treinada para ser uma assassina. E é isso que ela se torna. Porém, quando encontram pessoas que tinham as mesmas cicatrizes daquelas que mataram seu pai ela resolve ir atrás de justiça.
Bem, e isso que ela consegue. Até mandam o John Wick para parar ela, mas ele "se solidariza" pela causa e ela consegue finalizar o plano, mas é claro, gera consequências.
Esse filme, é bem igual ao primeiro do John Wick. Uma coisa triste acontece e depois é o gatilho para iniciar a matança. E assim como no primeiro filme, no final de Bailarina, fazem um contrato pela morte dela no valor de 5 milhões.
Um bom filme. Ação bacana. Quem curte o universo de John Wick vai gostar desse filme. Ele foi o último papel do ator que faz o mordomo do Continental de NY, antes dele falecer.
Manas
CAUTION
⚠️ Gatilho: abuso, violência
Até então, Vitória tinha sido o último filme que me tinha tocado no cinema. Escolhi assistir Manas pela sinopse que estava no 'site' do cinema:
Marcielle, uma jovem de 13 anos que vive na Ilha do Marajó (PA), começa a entender que o futuro não lhe reserva muitas opções. Encurralada pela resignação da mãe e movida pela idealização da figura da irmã que partiu, ela decide confrontar a engrenagem violenta que rege a sua família e as mulheres da sua comunidade.
Eu juro que não tinha lido "Ilha de Marajó", porque senão lembraria imediatamente das fake news que circulou no ano passado (2024). Mas ainda assim, essa sinopse diz muito pouco sobre o que é o filme. E tá certo. Eu também não vi o trailer. Mas da metade em diante, o filme aborda diretamente as violências que as jovens da região sofrem.
Sem a presença do estado e no meio da Floresta Amazônica, cercada de água por todos os lados, viver na ilha é um exercício diário de sobrevivência. Manas é como as meninas se chamam. O filme não aborda as violências de forma escrachada.
Muito bem filmado, o espectador precisa estar atento ao que a câmera mostra. E é uma realidade desoladora e cruel.
Sem meios para se sustentar, as mulheres vivem dependendo dos seus maridos. E é essa a realidade na casa de Marcielle. A mãe, uma jovem, de uns vinte e poucos anos está a espera do quinto filho. Marcielle, é a filha mais velha na casa, mas tem uma irmã, Claúdia, que deixou a realidade e deu os próprios pulos para sair dali.
Na casa de palafita vive ela, o pai, a mãe, dois irmãos e outra irmã mais nova. Marcielle vai à escola, que não tem parede, onde vê outras meninas assim como ela, e também participa dos cultos e das atividades da igreja na ilha.
Ela não opções de um futuro ali. Com as violências diárias na vida da menina ela vai buscar alternativas, já que justiça, ali, não existe.
Eu saí da sala de cinema anestesiado. Eu escrevo esse texto mais de uma semana após ver o filme, e, sinceramente, até agora não superei. Tudo é muito triste.
A diretora teve todo o cuidado de não tornar o filme um espetáculo público de violência. O que é mostrado é para que você, individualmente, tome consciência do que acontece lá e em tantos outros lugares onde crianças e adolescentes crescem à própria sorte.
Entre dois mundos
Não esperava nada desse filme e entregou tudo. Também escolhi assisti pelo resumo: "uma escritora resolve trabalhar como faxineira para escrever seu livro sobre faxineiras. Porém, como será que as pessoas vão reagir ao saber da verdade?" - Era mais ou menos isso.
Assim como o último filme francês que vi, O Segundo Ato esse filme é para refletir sobre a desigualdade - não de classe, mas de profissões. É impossível negar que esta desigualdade exista e esteja presente no dia há dia. E no filme isso vai ser escancarado no momento em que as melhores amigas - em especial a que é mãe de três meninos - descobre que a amiga, até então faxineira como ela, é, na verdade, uma escritora, e está fazendo um livro sobre faxineiras.
A última frase do filme é algo tipo assim: "É melhor cada um saber o seu lugar".
Silencio das ostras
NOTE
Descobri após escrever a review que o gênero oficial do filme é ficção. Faz bem mais sentido. Não sei de onde tirei que era um documentário, peço desculpas.
Nas primeiras 1h30 esse documentário é uma coisa. Nos 30 minutos finais é outra, completamente diferente. É como um trabalho de escola que você faz a sua parte separado. Chega no dia de entregar e só junta as coisas. O documentário (que tá mais para um filme) começa contando as vivências de uma família num vilarejo que é inteiramente dependente da mineradora que tem lá. A família inicialmente formada pela mãe, 4 ou 5 filhos homens, a filha, a personagem principal e o avô - um senhor bem debilitado e já muito velho, é continuamente reduzida a medida em que os filhos conseguem oportunidades de trabalho melhores para sair da extrema pobreza.
A mineradora é a única fonte de renda do lugar, então tudo gira em torno dela. A filha - como eu já disse, personagem principal - é abandonada pela mãe ainda criança. Não fica bem explicado o que acontece, o documentário/filme têm vários momentos em que coisas aparecem como vultos e em uma dessas vezes, a mãe aparece morta, boiando na represa d'agua que a mineradora usa. Em outro trecho ela aparece deitada numa casa abandonada, e é isso.
A filha têm um curioso e incômodo passatempo - colecionar insetos. Quando ela cresce, enche a casa de vários objetos de decoração feitos com os esqueletos dos insetos. Ela não fala muito e o sons (da água e principalmente dos insetos), contam boa parte da história.
Os irmãos vão abandonando o vilarejo e a filha - ninguém quer ficar ali naquele lugar, sem futuro.
Eles trabalham quebrando pedras sobre o solo, assim como os mineiros em desenhos animados, só que ao ar livre, depois as pedras passam por um processamento e são reduzidas, e, provavelmente depois disso o mineral é separado do rejeito, e o rejeito, armazenado na represa.
Sobre a primeira parte do documentário/filme é isso. E podia bem que ele podia parar mais ou menos por aqui. Porque o que vem depois é um amontoado de histórias, uma nada de haver com a outra, completamente desconexas e, algumas, para ser sincero, bem incômodas de se ver.
Tudo começa quando o documentário/filme mostra vídeos do rompimento da barragem de Mariana, em 2015. Tudo bem, afinal é uma produção feita para mostrar o que aconteceu e cobrar justiça. Eles mostram imagens filmadas por celular e, depois, vídeos do rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019.
E depois volta a "contar a história" da personagem principal. Ela aparece num lugar cheiinho de lama, junto de vários cachorros. E pouco tempo depois se depara com um sujeito preso num buraco na lama - essa foi a cena mais vergonha alheia que já vi em um filme - e eles ficam ali, vários segundos, talvez minutos tentando sair do buraco. Ele conta que estava procurando a filha, que a esposa e outro filho conseguiram sobreviver, mas não vai arredar o pé dali até encontrar o corpo dela. Ele também fala que a lama já chegou no mar, através do estado do Espírito Santo.
Depois, a nossa nobre personagem principal passa mal (quase morre) e é socorrida por índios - e aqui tem uma intervenção, que não tinha havido sido feita antes, como é de costume nos documentários. Entra um narrador e conta a história dos índios. Também são mostradas cenas de celebrações que eles fazem. A nossa personagem principal passa um tempo breve com eles e depois resolve começar uma andança. Durante essa andança ela quase morre (mais uma vez). E fica nessa cena dela se contorcendo por vários segundos - e, assim como na outra em que ela tentava tirar o homem do buraco na lama - talvez minutos.
Ela anda tanto que chega no mar. E o documentário acaba. O que vêm depois são as letrinhas num fundo preto, citam os dois crimes ambientais, falam do número de mortos e dos desaparecidos. E, por fim, falam que as empresas não foram condenadas - e foi isso que mais me pegou. Não porque eu não sabia do desastre ou que tudo se resumiu a multas, mas sim, porque um senhor que estava na sala, levantou para sair e disse: "E não vão (ser condenadas) nunca".
O Barbeiro Conspiracionista
Uma comédia italiana. Certo dia um Barbeiro Conspiracionista percebe que o poste em frente a sua barbearia pisca como um padrão. Ele então descobre que as piscadas são uma mensagem, em código morse. A partir daí a história começa a ganhar grande proporção, atraindo uma legião de gente e a atenção de um político da região.
Maravilhoso e entretivo.
Vermiglio
Quando eu cheguei o filme já tava rolando há 40 minutos. É muito triste. O filme gira em torno de uma família no vilarejo de Vermiglio, na Italia, durante a Segunda Guerra Mundial e os eventos são desencadeados depois que dois soldados desertam e vão para o vilarejo.
A filha mais velha da família casa com um dos soldados desertores, que era de fora, da Sicília. Eles casam, a guerra acaba e o soldado - agora marido - vai para a cidade natal, promete mandar cartas para a esposa assim que chegar lá, mas as cartas não chegam.
Eles descobrem o que aconteceu com o marido, Pietro, quando em um dia leem o jornal. O que acontece depois são consequências de uma sociedade extremamente conservadora e arcaica.
Cloud - Nuvem de vingança
Não esperava muito desse filme, para falar a verdade não esperava nada. Há algum tempo eu não assisto à trailers antes de assistir a algum filme, nem vejo resenhas para ter uma experiência e um julgamento melhor assistindo ao filme. Com Cloud não foi diferente, e que bom.
No início fui surpreendido, pois o filme é japonês, depois tive mais uma surpresa com uma história extremamente original e diferenciada. E no final saí da sala maravilhado com todo o filme - que oficialmente é de terror, até tem um pouco de terror, mas têm muito mais 'suspense' e ação, principalmente do meio para o final.
Se puderem, apenas assistam a esse filme. Serão 2 horas de tela, com quase todas as cenas muito bem-feitas e trabalhadas. Apesar de a mensagem que o filme deixa ser muito individualista, e o enredo girar em torno de uma prática antiética, o conjunto da obra é bom.
A Luz
Nada nesse filme tem lé com cré. Você começa achando que o filme é sobre uma coisa, depois o enredo muda e termina sem entender nada - ou até entende um pouquinho. Não vou "cimentá" sobre esse filme, porque acho que não vale muito a pena. Também não recomendaria para ninguém.
Nó
OK. Nó é, definitivamente, um filme. Não diria que é um filme ruim, até porque existem cenas ótimas - ao mesmo tempo, em que há diálogos pavorosos.
Curitiba é uma cidade com uma esquerda tão cirandeira quanto a de São Paulo. E, nesse filme, colocaram diálogos extremamente forçados, que jamais ocorreriam na realidade de uma família sustentada por uma mãe recém-separada, com três filhas, pobre, que trabalha numa fábrica de pipoca doce e salgadinhos de pacote.
Alguns podem achar que estou pegando pesado aqui por X ou Y motivo, mas juro que estou tentando ser o mais justo possível com esse filme - só que é bem difícil. Logo no início, há uma cena que, por algum motivo, termina com a gíria "olhar para o próprio espelho" (ou algo assim) - e, por algum raio de motivo, isso é levado para uma crítica social sobre a colonização, já que foram os portugueses que trouxeram espelhos para cá e os usavam como moeda de troca com os indígenas.
E por aí vai. A mãe tem uma consciência de classe fora de série - o que é, com todo o respeito, muito difícil de acreditar, considerando o estilo de vida e até mesmo algumas posturas que ela tem no filme.
O último azul
Na trama, depois de 75 anos, os idosos são obrigados a ir para uma colônia do governo, e a família recebe uma pensão pelo parente. A senhora tem 77 anos quando recebe a notícia de que tem uma semana para ir para a colônia. A casa dela é marcada com o que dizem ser "uma homenagem do governo pelos anos de serviços prestados". A polícia cidadã é responsável por fazer a vigilância e caçar os idosos que fogem da colônia.
Mas a nossa senhora tem um sonho: quer voar de avião. Não importa para onde, não importa por quanto tempo - ela só quer voar.
Ela vai até uma agência de turismo, mas a filha - que, nesse momento, já é sua tutora - não autoriza a viagem. Então, a senhora resolve fretar um barco para levá-la até um vilarejo afastado, onde supostamente conseguiria alguém disposto a voar com ela. Nessa jornada, conhece um barqueiro carrancudo que lhe mostra o poder de ver o futuro em um caracol azul.
Chegando ao vilarejo, ela se ilude com um sujeito que torra todo o dinheiro dela. Sem opções, desiste de realizar o sonho e volta para casa, começando os preparativos para ir para a colônia.
Ninguém sabe o que realmente acontece com os idosos por lá. Muita gente diz que quem vai, não volta - que a família nunca mais tem notícias. Durante o filme, de fundo, sem destaque, aparecem pichações como: "Devolvam nossos idosos", "Idoso também é gente" e outras do tipo.
Quando a senhora está prestes a entrar no ônibus rumo à colônia, ela foge. E, por uma série de acasos, acaba encontrando uma "freira" - já idosa, de cabelos ralos e esbranquiçados, com um sotaque espanhol-aportuguesado - que conseguiu comprar a própria liberdade.
Esse filme é de-li-ci-o-so. E o que, para mim, o torna tão bom é justamente o fato de não se propor a nada grandioso. É simples, espontâneo, não inventa moda e, principalmente, não tem final. Ele simplesmente acaba.
Muita gente não gosta de filmes assim - preferem roteiros fechadinhos, com solução e final (geralmente feliz) - mas O Último Azul não entrega isso. Ele te faz, nem que por alguns instantes, se questionar: o que será que aconteceu com a senhora da história? O que raios acontecia com os velhos na colônia? O futuro realmente é para todos?
As semelhanças entre os elementos desse filme e eventos históricos conhecidos definitivamente não são coincidências.
Telefone Preto 2
É clichê dizer que este filme (de terror) é aterrorizante? Pode ser que sim, mas de fato é. Os últimos 2 filmes de terror que vi (A mulher no Jardim e Pecadores) não me causaram tanto medo quanto Telefone Preto 2. Para quem viu o primeiro filme sabe que o menino conseguiu matar o sequestrador e sair do cativeiro. Neste segundo filme, anos depois de tudo o que aconteceu, a irmã do menino começa a ter sonhos sobre assassinatos, enquanto o menino continua a receber ligações.
Só que agora, a história ganha novos contornos quando eles descobrem sobre que o sequestrador pode ter começado a matança em um "retiro" católico, no mesmo lugar em que a mãe deles trabalhou como monitora.
O filme tem alguns furos, muitos clichês, violência gráfica, mas é bom.
Jujutsu no Kaisen - Execução

Acho que toda a experiência cinéfila é válida. Não assisto animes e não curto muito o gênero, mas resolvi ver o filme. E bem, assim como outros animes conhecidos é full adrenalina.
Esse filme tem pouquíssimo enredo ou cenas que não sejam de luta. Ele é uma antecipação da terceira temporada do anime, então, acho que por isso que é assim.
Nesse dia a meia foi 24 reais... Era um feriado, mas ainda assim muito caro. A meia do Ponteio, o shopping mais caro da rede em Belo Horizonte é 25 reais nos feriados e fins de semana.
Hamnet - A Vida Antes de Hamlet

Bom, bonito, bem escrito. Tem a parte teatral que não curti tanto, mas é um bom filme. Imagino que para quem leu Shakespeare deve ser ainda mais fantástico. Nada mais a falar.
A Única Saída

Ma-ra-vi-lho-so. Divertido, descontraído, perfeito, além de bem escrito. Muito melhor que um bocado desses filmes que receberam indicações para o flop que é o tal do Oscar.
Devoradores de Estrelas

Às vezes venho aqui falar sobre os filmes que assisti. Em alguns textos acabo soltando spoilers; em outros, nem isso - às vezes só falo o quão ruim foi a experiência. Mas, com esse filme (e talvez não seja a primeira vez que escrevo algo assim), quero falar mais sobre os sentimentos que tive assistindo a Devoradores de Estrelas.
É um filme que mexe bastante com as emoções de quem assiste. Existe toda uma construção sobre amizade, lealdade e sobre questionamentos do que é melhor ou mais correto fazer. Você acompanha a angústia do personagem principal ao perceber que o amigo que ele faz durante a história vai morrer - mais de uma vez - enquanto, ao mesmo tempo, a vida na Terra corre risco de acabar. Em alguns momentos, as mudanças de emoção são bem bruscas e o filme mistura diferentes sentimentos.
Devoradores de Estrelas é um "filme de conforto". Dá para assistir - mesmo com momentos de sofrimento - esperando um final feliz.
Num mundo em que a apatia parece se tornar, cada vez mais, o sentimento dominante, viver uma explosão de emoções acaba sendo uma experiência marcante.
Narciso

Há algum tempo venho assistindo a filmes no cinema sem pesquisar nada sobre eles antes. De vez em quando, nessa abordagem, acabo encontrando uma pérola. Foi assim com A Única Saída, O Barbeiro Conspiracionista e Cloud. Com Narciso, porém, a história foi diferente.
A trama acompanha um menino que voltou de uma adoção na véspera do seu aniversário. Ele mora em uma casa com dois meninos mais velhos, uma menina, a "mãe" deles e o irmão dela. Não é exatamente um abrigo para crianças abandonadas, mas funciona quase como um. Eles vivem na periferia e têm uma vida simples. O bairro não aparenta ser particularmente perigoso, mas há um garoto - que já chegou a morar naquela mesma casa - que acabou se envolvendo com coisas erradas.
O filme acompanha os acontecimentos ao longo desse dia, na véspera do aniversário do menino, cujo nome batiza o título da obra. Em determinado momento ele recebe um presente do garoto envolvido, algo que a "mãe" desaprova. Mais tarde, ganha também uma bola de basquete de um dos "irmãos". É com essa bola que ele faz uma descoberta que muda completamente o rumo da história.
O filme se propõe a ser uma crítica ao preconceito étnico, mas, na prática, tudo acaba funcionando muito mal. Talvez eu não estivesse no melhor estado de espírito naquele dia, mas sinceramente não entendi nada da analogia apresentada no final. As atuações também não ajudam: são fracas e, em alguns momentos, chegam a ser dolorosas de assistir.
No fim das contas, não foi uma boa experiência. Não achei um bom filme.